{"id":98327,"date":"2013-12-12T15:47:54","date_gmt":"2013-12-12T15:47:54","guid":{"rendered":"http:\/\/rinf.com\/alt-news\/breaking-news\/50-verdades-sobre-nelson-mandela\/"},"modified":"2013-12-12T15:47:54","modified_gmt":"2013-12-12T15:47:54","slug":"50-verdades-sobre-nelson-mandela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rinf.com\/alt-news\/breaking-news\/50-verdades-sobre-nelson-mandela\/","title":{"rendered":"50 verdades sobre Nelson Mandela"},"content":{"rendered":"<p>1.       Nascido no dia 18 de julho de 1918, Nelson Rolihlahla Mandela, apelidado de Madiba, \u00c3\u00a9 o s\u00c3\u00admbolo por excel\u00c3\u00aancia da resist\u00c3\u00aancia \u00c3\u00a0 opress\u00c3\u00a3o e ao racismo na luta pela justi\u00c3\u00a7a e pela emancipa\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o humana.<\/p>\n<p>2.       Procedente de uma fam\u00c3\u00adlia de treze filhos, Mandela foi o primeiro a estudar em uma escola metodista e a cursar direito na Universidade de Fort Hare, a \u00c3\u00banica que aceitava, ent\u00c3\u00a3o, pessoas de cor no governo segregacionista do apartheid.<\/p>\n<p>3.       Em 1944, aderiu ao Congresso Nacional Africano (CNA) e, particularmente, \u00c3\u00a0 sua Liga da Juventude, de inclina\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o radical.<\/p>\n<p>4.       O apartheid, elaborado em 1948 depois da vit\u00c3\u00b3ria do Partido Nacional Purificado, instaurava a doutrina da superioridade da ra\u00c3\u00a7a branca e dividia a popula\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o sul-africana em quatro grupos distintos: os brancos (20%), os \u00c3\u00adndios (3%), os mesti\u00c3\u00a7os (10%) e os negros (67%). Esse sistema segregacionista discriminava 4\/5 da popula\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o do pa\u00c3\u00ads.<\/p>\n<p>5.       Foram criados &ldquo;bantust\u00c3\u00b5es&rdquo;<em>, <\/em>reservas territoriais destinadas \u00c3\u00a0s pessoas de cor, para amontoar as pessoas n\u00c3\u00a3o brancas. Assim, 80% da popula\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o tinha de viver em 13% do territ\u00c3\u00b3rio nacional, muitas vezes sem recursos naturais ou industriais, na total indig\u00c3\u00aancia.<\/p>\n<p>6.       Em 1951, Mandela se transformou no primeiro advogado negro de Johanesburgo e assumiu a dire\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o do CNA na prov\u00c3\u00adncia de Transvaal um ano depois. Tamb\u00c3\u00a9m foi nomeado vice-presidente nacional.<\/p>\n<p>7.       \u00c3\u20ac frente do CNA, lan\u00c3\u00a7ou a <em>defiance campaign, <\/em>contra o governo racista do apartheid, e utilizou a desobedi\u00c3\u00aancia civil contra as leis segregacionistas. Durante a manifesta\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o do dia 6 de abril de 1952, data do terceiro centen\u00c3\u00a1rio da coloniza\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o da \u00c3\u0081frica do Sul pelos brancos, Mandela foi condenado a um ano de pris\u00c3\u00a3o. De sua pris\u00c3\u00a3o domiciliar em Johanesburgo, criou c\u00c3\u00a9lulas clandestinas do CNA.<\/p>\n<p>8.       Em nome da luta contra o apartheid, Mandela preconizou a alian\u00c3\u00a7a entre o CNA e o Partido Comunista Sul-africano. Segundo ele, &ldquo;o CNA n\u00c3\u00a3o \u00c3\u00a9 um partido comunista, mas um amplo movimento de liberta\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o que, entre seus membros inclui comunistas e outros que n\u00c3\u00a3o o s\u00c3\u00a3o. Qualquer pessoa que seja membro leal do CNA, e que respeite a disciplina e os princ\u00c3\u00adpios da organiza\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o, tem o direito de pertencer \u00c3\u00a0s suas filas. Nossa rela\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o com o Partido Comunista Sul-Africano como organiza\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o \u00c3\u00a9 baseada no respeito m\u00c3\u00batuo. Nos unimos ao Partido Comunista Sul-Africano em torno daqueles objetivos que nos s\u00c3\u00a3o comuns, mas respeitamos a independ\u00c3\u00aancia de cada um e sua identidade visual. N\u00c3\u00a3o houve tentativa alguma por parte do Partido Comunista Sul-Africano de subverter o CNA. Pelo contr\u00c3\u00a1rio, essa alian\u00c3\u00a7a nos deu for\u00c3\u00a7a pol\u00c3\u00adtica.&rdquo;<\/p>\n<p>9.       Em dezembro de 1956, Mandela foi preso e acusado de trai\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o com mais de uma centena de militantes antiapartheid. Depois de um processo de quatro anos, os tribunais o absolveram.<\/p>\n<p>10.   Em mar\u00c3\u00a7o de 1960, depois do <em>massacre de Sharperville<\/em>, perpetrado pela pol\u00c3\u00adcia contra os manifestantes antisegrega\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o, que custou a vida de 69 pessoas, o governo do apartheid proibiu o CNA.<\/p>\n<p>11.   Mandela fundou ent\u00c3\u00a3o o Umkhonto we Sizwe (MK)  e preconizou a luta armada contra o governo racista sul-africano. Antes de optar pela doutrina da viol\u00c3\u00aancia leg\u00c3\u00adtima e necess\u00c3\u00a1ria, Mandela se inspirou da filosofia da n\u00c3\u00a3o viol\u00c3\u00aancia de Gandhi: &ldquo;Embora tenhamos pegado em armas, n\u00c3\u00a3o era nossa op\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o preferida. Foi o governo do apartheid que nos obrigou  a pegar em armas. Nossa op\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o preferida sempre foi a de encontrar uma solu\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o pac\u00c3\u00adfica para o conflito do apartheid.&rdquo;<\/p>\n<p>12.   O MK multiplicou, ent\u00c3\u00a3o, os atos de sabotagem contra os s\u00c3\u00admbolos e as institui\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es do apartheid, preservando ao mesmo tempo as vidas humanas, lan\u00c3\u00a7ou com sucesso uma greve geral e preparou o terreno para a luta armada com o treinamento militar de seus membros.<\/p>\n<p>13.   Durante sua estada na Arg\u00c3\u00a9lia, em 1962, depois da interven\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o do presidente Ahmed Ben Bella, Mandela aproveitou para aperfei\u00c3\u00a7oar seus conhecimentos sobre a guerra de guerrilhas. A Arg\u00c3\u00a9lia colocou \u00c3\u00a0 disposi\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o do CNA campos de treinamento e deu apoio financeiro aos residentes antiapartheid. Mandela recebeu ali uma forma\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o militar. Inspirou-se profundamente na guerra da Frente de Liberta\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o Nacional do povo argelino contra o colonialismo franc\u00c3\u00aas. Quando libertado, Mandela dedicaria sua primeira viagem ao exterior \u00c3\u00a0 Arg\u00c3\u00a9lia, em maio de 1990, e renderia tributo ao povo argelino: &ldquo;Foi a Arg\u00c3\u00a9lia que fez de mim um homem. Sou argelino, sou \u00c3\u00a1rabe, sou mu\u00c3\u00a7ulmano! Quando fui ao meu pa\u00c3\u00ads para enfrentar o apartheid, me senti mais forte&rdquo;. Recordaria ter sido &ldquo;o primeiro sul-africano treinado militarmente na Arg\u00c3\u00a9lia.&rdquo;<\/p>\n<p>14.   Mandela estudou minuciosamente os escritos de Mao e de Che Guevara. Transformou-se em um grande admirador do guerrilheiro cubano-argentino. Depois de ser libertado, declararia: As &ldquo;fa\u00c3\u00a7anhas revolucion\u00c3\u00a1rias [de Che Guevara] &mdash; inclusive no nosso continente &mdash; foram de tal magnitude que nenhum encarregando de censura na pris\u00c3\u00a3o p\u00c3\u00b4de escond\u00c3\u00aa-las. A vida do Che \u00c3\u00a9 uma inspira\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o para todo ser humano que ame a liberdade. Sempre honraremos sua mem\u00c3\u00b3ria.&rdquo;<\/p>\n<p>15.   Cuba foi uma das primeiras na\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es que deu sua ajuda ao CNA. A esse respeito, Nelson Mandela destacou: &ldquo;Que pa\u00c3\u00ads solicitou a ajuda de Cuba e lhe foi negada? Quantos pa\u00c3\u00adses amea\u00c3\u00a7ados pelo imperialismo ou que lutam pela sua liberta\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o nacional puderam contar com o apoio de Cuba? Devo dizer que quando quisemos pegar em armas nos aproximamos de diversos governos ocidentais em busca de ajuda e somente obtivemos audi\u00c3\u00aancias com ministros de baix\u00c3\u00adssimo escal\u00c3\u00a3o. Quando visitamos Cuba fomos recebidos pelos mais altos funcion\u00c3\u00a1rios, os quais, de imediato, nos ofereceram tudo o que quer\u00c3\u00adamos e necessit\u00c3\u00a1vamos. Essa foi nossa primeira experi\u00c3\u00aancia com o internacionalismo de Cuba.&rdquo;<\/p>\n<p>16.   No dia 5 de agosto de 1962, depois de 17 meses de vida clandestina, Mandela foi levado \u00c3\u00a0 pris\u00c3\u00a3o em Johanesburgo, gra\u00c3\u00a7as \u00c3\u00a0 colabora\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o dos servi\u00c3\u00a7os secretos dos Estados Unidos com o governo de Pretoria. A CIA deu \u00c3\u00a0s for\u00c3\u00a7as repressivas do apartheid a informa\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o necess\u00c3\u00a1ria para a captura do l\u00c3\u00adder da resist\u00c3\u00aancia sul-africana.<\/p>\n<p>17.   Acusado de ser o organizador da greve geral de 1961 e de sair ilegalmente do territ\u00c3\u00b3rio nacional, ele foi condenado a cinco anos de pris\u00c3\u00a3o.<\/p>\n<p>18.   Em julho de 1963, o governo prendeu 11 dirigentes do CNA em Rivonia, perto de Johanesburgo, sede da dire\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o do MK. Todos foram acusados de trai\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o, sabotagem, conspira\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o com o Partido Comunista e compl\u00c3\u00b4 destinado a derrubar o governo. J\u00c3\u00a1 na pris\u00c3\u00a3o, Mandela foi acusado das mesmas coisas.<\/p>\n<p>19.   No dia 9 de outubro de 1963, come\u00c3\u00a7ou o famoso julgamento de Rivonia na Corte Suprema de Pretoria. No dia 20 de abril de 1964, frente ao juiz afric\u00c3\u00a2ner Quartus de Wet, Mandela desenvolveu sua alega\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o brilhante e destacou que, frente ao fracasso da desobedi\u00c3\u00aancia civil como m\u00c3\u00a9todo de combate para conseguir a liberdade, a igualdade ou a justi\u00c3\u00a7a, frente aos massacres de Sharperville e \u00c3\u00a0 proibi\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o de sua organiza\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o, o CNA n\u00c3\u00a3o teve outro rem\u00c3\u00a9dio sen\u00c3\u00a3o recorrer \u00c3\u00a0 luta armada para resistir \u00c3\u00a0 opress\u00c3\u00a3o.<\/p>\n<p>20.   No dia 12 de junho de 1964, Mandela e seus companheiros foram declarados culpados de motim e condenados \u00c3\u00a0 pris\u00c3\u00a3o perp\u00c3\u00a9tua.<\/p>\n<p>21.   O Conselho de Seguran\u00c3\u00a7a das Na\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es Unidas denunciou o julgamento de Rivonia. Em agosto de 1963, condenou o governo do apartheid e pediu \u00c3\u00a0s na\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es do mundo que suspendessem  o fornecimento de armas \u00c3\u00a0 \u00c3\u0081frica do Sul.<\/p>\n<p>22.   As grandes na\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es ocidentais, como Estados Unidos, Gr\u00c3\u00a3-Bretanha e Fran\u00c3\u00a7a, longe de respeitarem a resolu\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o do Conselho de Seguran\u00c3\u00a7a, apoiaram o governo racista sul-africano e multiplicaram o fornecimento de armas.<\/p>\n<p>23.   De Charles de Gaulle, presidente da Fran\u00c3\u00a7a de 1959 a 1969, at\u00c3\u00a9 o governo de Val\u00c3\u00a9ry Giscard d&#8217;Estaing, presidente da Fran\u00c3\u00a7a de 1974 a 1981, a Fran\u00c3\u00a7a foi um fiel aliado do poder racista de Pretoria e se negou sistematicamente a dar apoio ao CNA em sua luta pela igualdade e pela justi\u00c3\u00a7a.<\/p>\n<p>24.   Paris nunca deixou de fornecer material militar para Pretoria, provendo at\u00c3\u00a9 mesmo a primeira central nuclear da \u00c3\u0081frica do Sul, em 1976. Sob os governos de De Gaulle e de Georges Pompidou, presidente entre 1969 e 1974, a \u00c3\u0081frica do Sul foi o terceiro maior cliente da Fran\u00c3\u00a7a em mat\u00c3\u00a9ria de armamento.<\/p>\n<p>25.   Em 1975, o Centro Franc\u00c3\u00aas de Com\u00c3\u00a9rcio Exterior (CFCE) disse que &ldquo;a Fran\u00c3\u00a7a \u00c3\u00a9 considerada o \u00c3\u00banico verdadeiro apoio da \u00c3\u0081frica do Sul entre os grandes pa\u00c3\u00adses ocidentais. N\u00c3\u00a3o apenas fornece ao pa\u00c3\u00ads o essencial em mat\u00c3\u00a9ria de armamentos necess\u00c3\u00a1rios para sua defesa, mas tamb\u00c3\u00a9m tem se mostrado benevolente, ou, mais ainda, um aliado nos debates e nos votos das organiza\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es internacionais.&rdquo;<\/p>\n<p>26.   Preso em Robben Island, com o n\u00c3\u00bamero 466\/64, Mandela viveu 18 anos de sua exist\u00c3\u00aancia em condi\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es extremamente duras. N\u00c3\u00a3o podia receber mais de duas cartas e duas visitas ao ano e esteve separado de sua esposa Winnie &mdash; que n\u00c3\u00a3o tinha permiss\u00c3\u00a3o para visit\u00c3\u00a1-lo &mdash; durante 15 anos. Foi condenado a realizar trabalhos for\u00c3\u00a7ados, o que afetou seriamente a sua sa\u00c3\u00bade, sem conseguir jamais quebrar sua for\u00c3\u00a7a moral. Dava cursos de pol\u00c3\u00adtica, literatura e poesia a seus camaradas de destino e clamava pela resist\u00c3\u00aancia. Mandela gostava de recitar o poema <em>Invictus <\/em>de William Ernest Henley: &ldquo;<em>It matters not how strait the gate\/How charged with punishments the scroll.\/I am the master of my fate:\/I am the captain of my soul&rdquo;. <\/em>(N\u00c3\u00a3o importa qu\u00c3\u00a3o estreito \u00c3\u00a9 o port\u00c3\u00a3o\/ E quantas s\u00c3\u00a3o as puni\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es listadas\/ Eu sou o mestre do meu destino\/ Eu sou o capit\u00c3\u00a3o da minha alma)<\/p>\n<p>27.   No dia 6 de dezembro de 1971, a Assembleia Geral das Na\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es Unidas qualificou o apartheid como crime contra a humanidade e exigiu a liberta\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o de Nelson Mandela.<\/p>\n<p>28.   Em 1976, o governo sul-africano prop\u00c3\u00b4s a Mandela sua liberta\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o em troca de que ele renunciasse \u00c3\u00a0 luta. Madiba negou firmemente a proposta do governo segregacionista.<\/p>\n<p>Ag\u00c3\u00aancia Efe<\/p>\n<p>29.   Em novembro de 1976, depois das revoltas de Soweto e da sangrenta repress\u00c3\u00a3o que o governo do apartheid desatou, o Conselho de Seguran\u00c3\u00a7a das Na\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es Unidos imp\u00c3\u00b4s um embargo sobre as armas destinadas \u00c3\u00a0 \u00c3\u0081frica do Sul.<\/p>\n<p>30.   Em 1982, Mandela foi transferido para a pris\u00c3\u00a3o de Pollsmoor, perto de Cape Town.<\/p>\n<p>31.   Em 1985, Pieter Willen Botha, presidente de fato da na\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o, prop\u00c3\u00b4s libertar Mandela se ele se comprometesse, em troca, a renunciar \u00c3\u00a0 luta armada. O l\u00c3\u00adder da luta antiapartheid recusou a proposta e exigiu a democracia para todos: &ldquo;um homem, um voto.&rdquo;<\/p>\n<p>32.   Frente ao recrudescimento das opera\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es de guerrilha do MK, o governo segregacionista criou esquadr\u00c3\u00b5es da morte com a finalidade de eliminar os militantes do CNA na \u00c3\u0081frica do Sul e no exterior. O caso mais famoso \u00c3\u00a9 o de Dulci September, assassinada em Paris no dia 29 de mar\u00c3\u00a7o de 1988.<\/p>\n<p>33.   A mobiliza\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o internacional a favor de Nelson Mandela culminou em um show em Wembley, em junho de 1988, em homenagem aos 70 anos do resistente sul-africano, que foi assistido por 500 milh\u00c3\u00b5es de pessoas pela televis\u00c3\u00a3o.<\/p>\n<p>34.   O elemento decisivo que p\u00c3\u00b4s fim ao apartheid foi a estrepitosa derrota militar que tropas cubanas infringiram ao ex\u00c3\u00a9rcito sul-africano em Cuito Cuanavale, no sudeste de Angola, em janeiro de 1988. Fidel Castro enviou seus melhores soldados a Angola depois da invas\u00c3\u00a3o do pa\u00c3\u00ads pelo governo de Pretoria, apoiada pelos Estados Unidos. A vit\u00c3\u00b3ria de Cuito Cuanavale tamb\u00c3\u00a9m permitiu \u00c3\u00a0 Nam\u00c3\u00adbia, at\u00c3\u00a9 ent\u00c3\u00a3o ocupada pela \u00c3\u0081frica do Sul, conseguir sua independ\u00c3\u00aancia.<\/p>\n<p>35.   Em um artigo intitulado &ldquo;Cuito Cuanavale: a batalha que acabou com o apartheid&rdquo;, o historiador Piero Gleijeses, professor da Universidade John Hopkins, de Washington, especialista na pol\u00c3\u00adtica africana de Cuba, aponta que &ldquo;a proeza dos cubanos nos campos de batalha e seu virtuosismo na mesa de negocia\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es foram decisivos para obrigar a \u00c3\u0081frica do Sul a aceitar a independ\u00c3\u00aancia da Nam\u00c3\u00adbia. Sua exitosa defesa de Cuito foi o prel\u00c3\u00badio de uma campanha que obrigou o ex\u00c3\u00a9rcito sul-africano a sair de Angola. Essa vit\u00c3\u00b3ria repercutiu para al\u00c3\u00a9m de Nam\u00c3\u00adbia.&rdquo;<\/p>\n<p>36.   Nelson Mandela, durante sua visita hist\u00c3\u00b3ria a Cuba, em julho de 1991, lembrou-se daquele epis\u00c3\u00b3dio: &ldquo;A presen\u00c3\u00a7a de voc\u00c3\u00aas e o refor\u00c3\u00a7o enviado para a batalha de Cuito Cuanavale t\u00c3\u00aam uma import\u00c3\u00a2ncia verdadeiramente hist\u00c3\u00b3rica. A derrotada esmagadora do ex\u00c3\u00a9rcito racista em Cuito Cuanavale constituiu uma vit\u00c3\u00b3ria para toda a \u00c3\u0081frica! Essa contundente derrota do ex\u00c3\u00a9rcito racista em Cuito Canavale deu a Angola a possibilidade de desfrutar da paz e de consolidar sua pr\u00c3\u00b3pria soberania. A derrota do ex\u00c3\u00a9rcito racista permitiu que o povo combatente da Nam\u00c3\u00adbia alcan\u00c3\u00a7asse finalmente a sua independ\u00c3\u00aancia! A decisiva derrota das for\u00c3\u00a7as agressoras do apartheid destruiu o mito da  invencibilidade do opressor branco! A derrota do apartheid serviu de inspira\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o para o povo combatente da \u00c3\u0081frica do Sul! Sem a derrota infringida em Cuito Cuanavale nossas organiza\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es n\u00c3\u00a3o teriam sido legalizadas! A derrota do ex\u00c3\u00a9rcito racista em Cuito Cuanavale possibilitou que hoje eu possa estar aqui com voc\u00c3\u00aas! Cuito Cuanavale \u00c3\u00a9 um marco na hist\u00c3\u00b3ria da luta pela liberta\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o da \u00c3\u0081frica austral! Cuito Cuanavale marca a virada da luta para libertar o continente e nosso pa\u00c3\u00ads do flagelo do apartheid! A decisiva derrota infringida em Cuito Cuanavale alterou a correla\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o de for\u00c3\u00a7as da regi\u00c3\u00a3o e reduziu consideravelmente a capacidade do governo de Pretoria para desestabilizar seus vizinhos. Este feito, em conjunto com a luta do nosso povo dentro do pa\u00c3\u00ads, foi crucial para fazer Pretoria entender que tinha de se sentar \u00c3\u00a0 mesa de negocia\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es.&rdquo;<\/p>\n<p>37.   No dia 2 de fevereiro de 1990, o governo segregacionista, moribundo depois da derrota de Cuito Cuanavale, viu-se obrigado a legalizar o CNA e aceitar as negocia\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es.<\/p>\n<p>38.   No dia 11 de fevereiro de 1990, Nelson Mandela foi finalmente libertado, depois de 27 anos de pris\u00c3\u00a3o.<\/p>\n<p>39.   Em junho de 1990 foram abolidas as \u00c3\u00baltimas leis segregacionistas depois da press\u00c3\u00a3o feita por Nelson Mandela, pelo CNA e pelo povo.<\/p>\n<p>40.   Eleito presidente do CNA em junho de 1991, Mandela recordou os objetivos: &ldquo;No CNA sempre estaremos ao lado dos pobres e dos que n\u00c3\u00a3o t\u00c3\u00aam direitos. N\u00c3\u00a3o apenas estaremos junto deles. Vamos garantir antes cedo que tarde os pobres e sem direitos rejam a terra onde nasceram e que &mdash; como expressa a Carta da Liberdade &mdash; seja o povo que governe.&rdquo;<\/p>\n<p>41.   Fortemente criticado por sua alian\u00c3\u00a7a com o Partido Comunista Sul-Africano por causa das pot\u00c3\u00aancias ocidentais que seguiam apoiando o governo do apartheid durante o processo de paz, Mandela replicou de modo contundente. &ldquo;N\u00c3\u00a3o temos a menor inten\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o de fazer caso aos que nos sugerem e aconselham que rompamos essa alian\u00c3\u00a7a [com o Partido Comunista]. Quem s\u00c3\u00a3o os que oferecem esses conselhos n\u00c3\u00a3o solicitados? Prov\u00c3\u00aam, em sua maioria, dos que nunca nos deram ajuda alguma. Nenhum desses conselheiros fez jamais os sacrif\u00c3\u00adcios que fizeram os comunistas pela nossa luta. Essa alian\u00c3\u00a7a nos fortaleceu e a tornaremos ainda mais estreita.&rdquo;<\/p>\n<p>42.   Em 1991, Mandela condenou o persistente apoio dos Estados Unidos ao governo do apartheid:  &ldquo;Estamos profundamente preocupados com a atitude que a  administra\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o Bush adotou sobre esse assunto. Este foi um dos poucos governos que esteve em contato habitual conosco para examinar a quest\u00c3\u00a3o das san\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es e lhe fizemos ver claramente que eliminar as san\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es seria prematuro. No entanto, essa administra\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o, sem nem nos consultar, simplesmente nos informou que as san\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es estadunidenses seriam anuladas. Consideramos isso totalmente inaceit\u00c3\u00a1vel.&rdquo;<\/p>\n<p>Ag\u00c3\u00aancia Efe<br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/media\/images\/mandelafidel.jpg\" alt=\"\" width=\"448\" height=\"374\"><\/p>\n<p>43.   Em 1993, Mandela recebeu o Pr\u00c3\u00aamio Nobel da Paz por sua obra a favor da reconcilia\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o nacional.<\/p>\n<div>\n<p> Foto : Mandela com seu antecessor, Frederik de Klerk<\/p>\n<\/div>\n<p>44.   Durante a primeira vota\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o democr\u00c3\u00a1tica da hist\u00c3\u00b3ria da \u00c3\u0081frica do Sul, no dia 27 de abril de 1994, Nelson Mandela, de 77 anos, foi eleito presidente da Rep\u00c3\u00bablica com mais de 60% dos votos. Governou at\u00c3\u00a9 1999.<\/p>\n<p>45.   No dia 1 de dezembro de 2009, a Assembleia Geral das Na\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es Unidas aprovou, em vota\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o un\u00c3\u00a2nime de seus 192 membros, uma resolu\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o que decreta o dia 18 de julho como Dia Internacional Nelson Mandela, em homenagem \u00c3\u00a0 luta do her\u00c3\u00b3i sul-africano contra todas as injusti\u00c3\u00a7as.<\/p>\n<p>46.   Se hoje Mandela \u00c3\u00a9 cumprimentado por todos, por d\u00c3\u00a9cadas as pot\u00c3\u00aancias ocidentais o consideraram um homem perigoso e o combateram apoiando o governo do apartheid.<\/p>\n<p>47.   Estados Unidos, Fran\u00c3\u00a7a e Gr\u00c3\u00a3-Bretanha foram os principais aliados do governo do apartheid, o qual apoiaram at\u00c3\u00a9 o \u00c3\u00baltimo momento.<\/p>\n<p>48.   Se os Estados Unidos veneram hoje em dia Nelson Mandela, de Clinton a Bush passando por Obama, \u00c3\u00a9 conveniente lembrar que ele foi mantido na lista de membros de organiza\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es terroristas at\u00c3\u00a9 o dia 1 de janeiro de 2008.<\/p>\n<p>49.   Nelson Mandela lembrou varias vezes dos lan\u00c3\u00a7os inquebrant\u00c3\u00a1veis que atavam a \u00c3\u0081frica do Sul a Cuba. &ldquo;Desde seus primeiros dias, a Revolu\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o Cubana tem sido uma fonte de inspira\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o para todos os povos amantes da liberdade. O povo cubano ocupa um lugar especial no cora\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o dos povos da \u00c3\u0081frica. Os internacionalistas cubanos deram uma contribui\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o para a independ\u00c3\u00aancia, para a liberdade e a justi\u00c3\u00a7a na \u00c3\u0081frica que n\u00c3\u00a3o tem paralelo pelos princ\u00c3\u00adpios e pelo desinteresse que a caracterizam. \u00c3\u2030 muito o que podemos aprender da sua experi\u00c3\u00aancia. De modo particular, nos comove a afirma\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o do v\u00c3\u00adnculo hist\u00c3\u00b3rico com o continente africano e seus povos. Seu invari\u00c3\u00a1vel compromisso com a erradica\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o sistem\u00c3\u00a1tica do racismo n\u00c3\u00a3o tem paralelo. Somos conscientes da grande d\u00c3\u00advida que existe hoje com o povo de Cuba. Que outro pa\u00c3\u00ads pode mostrar uma hist\u00c3\u00b3ria mais desinteressada que a que teve Cuba em suas rela\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es com a \u00c3\u0081frica?<\/p>\n<p>50.   Thenjiwe Mtintso, embaixadora da \u00c3\u0081frica do Sul em Cuba, lembrou-se da verdade hist\u00c3\u00b3rica a prop\u00c3\u00b3sito do compromisso de Cuba na \u00c3\u0081frica. &ldquo;Hoje a \u00c3\u0081frica do Sul tem muitos amigos novos. Ontem, estes amigos se referiam aos nossos l\u00c3\u00adderes e aos nossos combatentes como terroristas e nos acusavam enquanto apoiavam a \u00c3\u0081frica do Sul do apartheid. Esses mesmos amigos hoje querem que n\u00c3\u00b3s denunciemos e ilhemos Cuba. Nossa resposta \u00c3\u00a9 muito simples, \u00c3\u00a9 o sangue dos m\u00c3\u00a1rtires cubanos e n\u00c3\u00a3o destes amigos que corre profundamente na terra africana e nutre a \u00c3\u00a1rvore da liberdade em nossa p\u00c3\u00a1tria.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Salim Lamrani<\/strong><\/p>\n<p><em>Doutor em Estudos Ib\u00c3\u00a9ricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, <strong>Salim Lamrani<\/strong> \u00c3\u00a9 professor-titular da Universidade de la Reuni\u00c3\u00b3n e jornalista, especialista nas rela\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es entre Cuba e Estados Unidos. Seu \u00c3\u00baltimo livro se chama The Economic War Against Cuba. A Historical and Legal Perspective on the U.S. Blockade [A Guerra Econ\u00c3\u00b4mica contra Cuba. Uma Perspectiva Hist\u00c3\u00b3rica e Legal do Bloqueio dos EUA], New York, Monthly Review Press, 2013, com pr\u00c3\u00b3logo de Wayne S. Smith e pref\u00c3\u00a1cio de Paul Estrade.<\/em><\/p>\n<p><em>Contato: <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cloudflare.com\/email-protection#94f8f5f9e6f5fafde7f5f8fdf9d4edf5fcfbfbbaf2e6\"><span>[email protected]<\/span><\/a> ; <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cloudflare.com\/email-protection#4310222f2a2e6d0f222e31222d2a03362d2a356e3126362d2a2c2d6d2531\"><span>[email protected]<\/span><\/a><\/em><\/p>\n<p><em>P\u00c3\u00a1gina no Facebook: <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/SalimLamraniOfficiel\">https:\/\/www.facebook.com\/SalimLamraniOfficiel<\/a><\/em><\/p>\n<p>Source: <a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/50-verdades-sobre-nelson-mandela\/5361314?utm_source=rss&amp;utm_medium=rss&amp;utm_campaign=50-verdades-sobre-nelson-mandela\" target=\"_blank\" title=\"50 verdades sobre Nelson Mandela\">Global Research<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Nascido no dia 18 de julho de 1918, Nelson Rolihlahla Mandela, apelidado de Madiba, \u00c3\u00a9 o s\u00c3\u00admbolo por excel\u00c3\u00aancia da resist\u00c3\u00aancia \u00c3\u00a0 opress\u00c3\u00a3o e ao racismo na luta pela justi\u00c3\u00a7a e pela emancipa\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o humana. 2. 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